Modelo de Gestão – CBF x NFL

CBF x NFL

Talvez esse seja o post mais desafiador de todos. Mas, como sou movido a desafios e defendo a verdade e a ética, vamos jogar no ventilador!

Solta a vinheta que o assunto é de primeira!

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Vamos começar pelos nossos vizinhos do Norte.

O esporte norte-americano conta com três grandes ligas:

  1. A National Football League NFL;
  2. Major League Baseball MLB;
  3. National Basketball Association NBA.

As ligas trabalham em Sistema de Franquia com os clubes, com regras claras sobre direitos de transmissão que são distribuídos igualmente por todas as equipes. Isto é. O primeiro colocado recebe o mesmo valor que o último colocado.

A ideia é dar a mesma competitividade a todas as equipes. E também que o campeonato seja decidido no último segundo, pois isso da enorme audiência. A administração das ligas não visa o poder político. mas sim o retorno financeiro.

Já no Brasil…

O modelo do futebol brasileiro foi mudado para favorecer os Clubes da elite.

Quando um Clube da série B, consegue o tão sonhado acesso para a série A, os Clubes da elite compram os melhores jogadores a preços irrisórios, promovendo um verdadeiro desmanche no Clube. Pelo ritmo do calendário esportivo no Brasil ser extremamente puxado, fatalmente os Clubes que conseguiram o acesso, voltam para a série B.

Podemos citar como exemplos, o Ituano, que foi Campeão Paulista de 2014 e o Grêmio AUDAX, que foi vice em 2016 na mesma competição.

O Campeonato em pontos corridos, além de extremamente injusto, faz com que os recursos sejam concentrados em poucos clubes.

“Não vai demorar muito para que o Brasil tenha apenas 5 clubes grandes, ou menos – quando historicamente o País sempre teve 12. Desde que o Campeonato Brasileiro começou a era “pontos corridos”, em 2013, apenas 6 clubes ganharam o caneco (alguns de modo totalmente corrompido, como 2005 e 2008, é verdade, o que aumentaria de 6 para 8).”

Principal recurso financeiro dos Clubes, a cota de televisão paga pela Globo pelos direitos de transmissão em canal aberto revela um abismo entre os Clubes que do Brasileirão 2018. Na ponta de cima, Flamengo e Corinthians têm direito a R$ 170 milhões pela competição.

O valor auferido pelos dois gigantes é mais de sete vezes o destinado ao Paraná, por exemplo. O Tricolor acertou cota de R$ 23 milhões para 2018, o mesmo montante de América-MG e Ceará, outros dois Clubes promovidos da Série B. Ou seja, para os Clubes que foram promovidos, manter-se na elite é missão impossível!

A divisão do dinheiro da Globo leva em consideração uma série de fatores, em especial o nível de exposição e audiência que cada Clube proporciona. Aspecto que, naturalmente, empurra mais grana para os dois Clubes mais populares do Brasil.

2018 representa a última temporada do atual esquema. A partir de 2019, a Globo fará uma nova divisão do dinheiro da TV aberta: 40% da receita será repartida igualmente entre os clubes, 30% de acordo com a performance dos clubes no ano anterior e outros 30% segundo o número de jogos veiculados na TV aberta.

LEIA MAIS: Veja todos os técnicos demitidos em 2018 por clubes da Série A do Brasileirão

Além da TV aberta, os Clubes também negociam direitos de transmissão para canais fechados (por assinatura) e pay-per-view. Duas rendas que sofreram modificações nos últimos anos com novas negociações entre Clubes e emissoras.

O Esporte Interativo entrou na jogada e assinou contratos de transmissão para canal fechado com determinados clubes, entre eles Atlético e Coritiba. Os dois Clubes fecharam de 2019 a 2024 e receberam, somente de luvas, R$ 40 milhões.

Outro ponto é a rediscussão dos valores de PPV para os Clubes. Insatisfeitos, determinadas equipe pleiteiam a adoção de um novo sistema de distribuição pela Globo, que é quem controla o repasse do dinheiro.

Voltando na terra do Tio San…

A NFL tem contrato com praticamente todas as grandes redes de TVs abertas e ainda toca seu próprio canal de TV, a NFL Network, que transmite no sistema fechado filmes de arquivo, programas especiais e jogos atuais e antigos 24 horas ao dia, tudo pensando no fan que não aceita ficar sem futebol durante os 6 meses em que a liga está em férias.

Mas o fator que muitos especialistas acreditam ser a principal razão pelo sucesso da liga de futebol americano é o formato de distribuição dos lucros. Décadas atrás, os donos dos times de mercados maiores e com muito maior poder de arrecadação, abraçaram a ideia de uma sociedade forte entre todas as equipes e apostando na super popularização de uma liga forte num futuro que certamente não viveriam para ver, abriram mão de grande parte de seus ganhos para que numa divisão igualitária, diversas outras equipes passassem de meras participantes a possíveis desafiantes. Times antes pequenos fizeram história, novas rivalidades, dinastias e heróis nasceram e tornaram-se lendas até hoje adoradas. O tiro dos executivos foi certeiro e a liga nunca mais parou de crescer e faturar.

É importante não se esquecer de quem faz o show em campo. Graças a acordos trabalhistas entre a NFL e a associação dos jogadores de futebol americano, há anos os atletas são verdadeiros sócios em boa parte do que a liga arrecada. No último acordo de trabalho entre as partes, por exemplo, ficou estabelecido que pelos próximos dez anos quase 50 por cento de todas as arrecadações da liga com mídias (direitos de TV, rádio e internet) deverão ser pagas aos jogadores em forma de salários e prêmios.

O acordo de 300 páginas vai muito além de tratar apenas de salários e chega ao ponto de detalhar a quantidade de dias e horas em que os jogadores poderão ser utilizados em treinos pelos patrões e que tipo de equipamentos os mesmos deverão estar usando em cada treino.

Neste mesmo acordo a liga aceitou criar um fundo superior a 700 milhões para ajudar ex-atletas e futuros ex-atletas da liga e seus familiares que estejam sofrendo ou que venham a sofrer por problemas de saúde causados por lesões relacionadas ao esporte.

Claro que a liga de futebol NFL está longe de ser perfeita e deve ter problemas que eu não conheço, mas até onde meus olhos conseguem enxergar, eles tem dado lição atrás de lição a quem diz fazer esporte mundo afora e tem mostrado ser possível fazer do esporte algo lucrativo em que todos ganhem muito dinheiro desde que as partes envolvidas tenham capacidade para administrar em alto nível e adicionem valor ao negócio.

A NFL, assim como outras grandes marcas do esporte do mundo, não pretendem parar de crescer e para chegarem aonde pretendem em termos de faturamento precisam conquistar públicos jovens de países de terceiro mundo hoje totalmente desprezados pelos clubes locais.

Em um Mundo em constante processo de aproximação os grandes tendem a ficar cada vez maiores e os pequenos a desaparecerem para dar espaço a marcas fortes e mundiais.

A verdade é que não há mais espaço para amadores no futuro de qualquer administração esportiva no mundo. Ou se fazem mudanças radicais na forma de se dirigir os esportes nos mercados menos desenvolvidos ou veremos o quase desaparecimento de diversas marcas que um dia já foram gigantes.

As Premiações

A CBF resolveu subir o bônus ao campeão da Copa do Brasil muito em função do novo contrato de direitos de transmissão assinado com canais de televisão. Para se ter uma ideia, o Cruzeiro, vencedor da Copa de 2017, levou apenas R$ 13 milhões.

Outro torneio a ser mais valorizado em 2018 é a Libertadores. Campeão dever faturar R$ 35,2 milhões no acumulado. O prêmio fixo para levantar a taça é de R$ 9,9 milhões.

Brasileirão ainda não tem definido os valores a serem pagos ao campeão. Corinthians, vencedor em 2017, teve direito a pouco mais de R$ 18 milhões. Esse montante tende a crescer e só deve ser anunciado em meados do ano que vem quando a TV Globo, detentora dos direitos do campeonato, organizar a partilha da premiação.

Estaduais também entram no bolo. Tomando o Campeonato Paulista como base, por ser o que mais paga, o título vai valer R$ 5 milhões, fora a cota garantida por jogo como mandante na primeira fase do torneio.

Nesses valores das premiações das competições de 2018 não estão acrescidos o dinheiro que as redes de televisão pagam aos clubes pelos direitos de transmissão.

Mesmo assim, se um Clube conseguir a dura façanha de ser campeão do Estadual,  Brasileirão,  Copa do Brasil e Libertadores já pode contar no caixa com a bagatela de cerca de R$ 127 milhões. É uma possibilidade. Mas se faturar, por exemplo, a Copa do Brasil e a Libertadores terá acumulado algo em torno de R$ 100 milhões.

Valores ridículos! Comparado com o faturamento da CBF, sem mencionar a Conmebol no caso da Libertadores e FPF no Paulista.

Balanço financeiro da CBF, Fonte: ESPN

Em 2016, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou seus resultados financeiros com R$ 597,67 milhões em receitas, a entidade registrou faturamento recorde, em valor que supera qualquer clube do país. Seu lucro, contudo, caiu em relação aos últimos anos.

A “explosão” no faturamento passa pelo bom momento da seleção brasileira com o técnico Tite. Dos quase R$ 600 milhões em receitas, R$ 509,43 milhões vêm do time verde e amarelo, um aumento de 20% em relação a 2015 – quando o total arrecadado pela entidade foi R$ 518,87 milhões.

A principal fonte de renda da CBF foi de patrocínios, com R$ 410,98 milhões, sendo que R$ 394,54 milhões são da seleção – valor que superar o total recebido no quesito em 2015, R$ 339,6 milhões.

Em seguida, vêm os direitos de transmissão, que renderam R$ 117,26 milhões, sendo R$ 71,53 milhões dos jogos da seleção. O valor não subiu tanto em relação ao último ano, mas, com o contrato com a Globo chegando ao fim, a CBF pretende aumentar as receitas com TV nos próximos anos.

A seleção brasileira também contribuiu para o faturamento da confederação com R$ 43,34 milhões pelos jogos que realizou, parte com o Dunga, demitido após a Copa América Centenário; parte com Tite. Em relação aos R$ 30,98 milhões arrecadados em 2015, o aumento com as partidas foi de 40%.

Nos últimos anos, a maior receita registrada pela CBF havia sido em 2014, ano de Copa do Mundo no Brasil, com R$ 519,10 milhões. Em 2013, foram R$ 436,46 milhões; e, em 2015, R$ 518,87 milhões.

Na comparação com os Clubes brasileiros, a CBF supera por mais de R$ 100 milhões as receitas das duas equipes mais ricas do país na atualidade, Flamengo e Palmeiras, que faturaram, respectivamente, R$ 483,5 milhões e R$ 486,6 milhões em 2016. Os ganhos só da seleção também superam os dos times.

Apesar do recorde, os gastos da confederação também subiram em 2016, gerando o pior resultado em seus balanços nos últimos anos. Depois de um superávit de R$ 72,08 milhões em 2015, o lucro agora foi de R$ 43,72 milhões, abaixo também de 2014 (R$ 51,01 milhões) e 2013 (R$ 55,56 milhões).

Na Europa

Não é assim que funciona na Europa. A Football Association (FA), federação inglesa de futebol, arrecadou £ 69 milhões com patrocínios em 2013/2014 – note que a receita da CBF, se convertida para libra esterlina com base no câmbio de 31 de dezembro de 2014, foi de £ 86,8 milhões, superior à colega inglesa. O Manchester United, com £ 135,8 milhões arrecadados só com patrocínios, faz mais dinheiro com esta fonte de receita do que a FA. A superioridade de Clubes se repete na Alemanha, na Espanha e adiante.

Em teoria, times poderiam oferecer mais a empresas do que a CBF. Eles têm mais jogos televisionados e mais atividade – são até 70 partidas oficiais numa temporada contra 15 amistosos da seleção brasileira. Eles têm vínculo emocional com o torcedor mais forte e contato mais frequente com ele, pelos estádios ou pela TV, em pontos de venda e nas redes sociais. A seleção, com exceção a 2014, fica distante do público brasileiro. Eles podem levar atletas e técnicos para ações de relacionamento de empresas. A CBF, não. É tão difícil ter acesso aos jogadores via CBF, mesmo para um patrocinador, que a Vivo teve de desenhar bonequinhos dos atletas para a publicidade no ano passado. Clubes têm vantagens. Na teoria.

Na prática, equipes brasileiras ainda não conseguiram explorar essas vantagens. Quando uma marca investe em um patrocínio, ela busca avançar na seguinte escala:

  1. Ser lembrada pelo público;
  2. Ser considerada no momento da compra,
  3. Ter preferência na compra e;
  4. Fidelizar o consumidor.

Para que ele só adquira produtos desta marca. Clubes brasileiros estacionam na primeira etapa. Quando a Parmalat ficou conhecida, saiu do Palmeiras. Quando a LG ficou conhecida, deixou o São Paulo. Nos melhores casos, marcas conseguiram muita visibilidade, mas avançaram pouco nesta régua de relacionamento com o consumidor. Além disso, o alcance desses clubes é local, concentrado em capitais ou em regiões aqui e ali. O Manchester United oferece mais contrapartidas e tem alcance global. Por isso fatura mais.

Não quer dizer que a CBF está livre de problemas. Alguns anos atrás, jogar amistosos com seleções inexpressivas, atrás do dinheiro que elas ofereciam, tornava o produto menos valioso para patrocinadores. Hoje há empresas que manifestam desconforto com o número de marcas expostas por todo lugar, segundo um executivo de uma das patrocinadoras consultado pelo blog. A confederação tem 16 parceiros. Adiante, após o fiasco dos 7 a 1 para a Alemanha na Copa, a seleção ainda terá de recuperar a confiança do torcedor, talvez na Copa América, talvez na Olimpíada do Rio de Janeiro, mas dificilmente por completo. No passado, no presente e no futuro, a CBF tem questões a resolver para faturar mais – ou ao menos manter a cifra de 2014. Mas é fato que hoje, apoiada na altíssima admiração que a camisa amarela (ainda) tem no exterior e por ser um investimento “seguro”, a CBF goleia clubes no quesito patrocínio.

O Chelsea faturou £  150 milhões de libras (R$ 603,5 milhões) com o título da Premier League. Na temporada passada, o Leicester recebeu £ 93 milhões de libras (cerca de 375 milhões).

Vamos lá…

Brasil:

Estadual + Brasileirão + Copa do Brasil + Libertadores

R$ 127 milhões.

Inglaterra:

Premier League

R$ 603,5 milhões!!!

O crescimento no valor da premiação se deve ao novo acordo de TV do Campeonato Inglês, cujos direitos de transmissão foram negociados por £ 8 BILHÕES de libras (R$ 32 bilhões).

Deste montante, estão os direitos de TV para os 20 Clubes da elite, além de premiações por desempenho e quantidade de jogos exibidos por equipes.

Para efeito de comparação, na última temporada, o Chelsea arrecadou £ 87,3 milhões de libras (aproximadamente R$ 350 milhões) pelo décimo lugar no Campeonato Inglês.

Na Europa existem três modelos:

  1. Sistema Associativo, onde a diretoria é eleita pelos sócios (Tem um funcionamento muito parecido com o sistema brasileiro);
  2. Sistema Privado, que conta com um ou mais proprietários que mantém o capital do Clube fechado e onde despontam a Inglaterra e a Itália;
  3. Sistema Misto, administrado pelo Clube mais uma empresa, que têm o poder de destituir a diretoria em caso de irregularidade, a qualquer tempo.

Infelizmente, a lógica do futebol no Brasil é muito diferente da existente no resto do mundo, sem mencionar a corrupção e desigualdade entre os Clubes.

You’ll Never Walk Alone

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