Beto Souza fala sobre os impactos da pandemia COVID-19 no futebol

 

O gestor de futebol do Nhô Quim, respondeu importantes perguntas a respeito dos impactos causados pela pandemia COVID-19 no futebol nacional.

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Arte: Luan Rodrigues | Trivela na Rede

O futebol e o esporte como um todo podem ser fortemente impactados pela pandemia do COVID-19 no País, a dimensão dos danos será proporcional à duração da pandemia, podendo causar pesados prejuízos a atletas e equipes.

Sim. Temos a consciência que hoje o futebol é segundo plano, mas, é inegável o quanto essa paixão faz falta. Pensando nisso, resolvemos buscar respostas de especialistas do mundo da bola, que convivem ou conviveram no dia a dia do futebol.

Infelizmente, esta pandemia afetou todos os setores da sociedade e da economia, e no futebol, assim como em outros segmentos, o impacto está sendo, e será por um bom tempo, terrível em todos os sentidos – Beto Souza.

Beto Souza, respondeu a nossa equipe e compartilhou a sua opinião a respeito de questões tão complexas que são reflexos dessa terrível pandemia.

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Ricardo Moura e Beto Souza | Foto: Divulgação

São três perguntas que foram contextualizadas por Luan Rodrigues.

1) A pandemia do coronavírus paralisou o esporte no Brasil e no mundo. Este cenário traz impactos financeiros drásticos: contratos de TV, patrocinadores, programas de sócios-torcedores, vínculos de atletas, bilheteria e premiações ficam sob suspense enquanto a bola não volta a rolar.

Como sobreviver dois meses sem receitas, com a problemática dos contratos curtos e as mesmas despesas?

Beto Souza:

As equipes serão muito prejudicadas tecnicamente. Tivemos que dar férias aos atletas, passamos as recomendações e as programações de treinamentos, mas não podemos obriga-los a treinar, então ficamos a mercê da consciência de cada um. Quando esta pandemia passar, provavelmente teremos poucos dias para o reinício da competição, se ela voltar, é claro. Outro problema que afetará os clubes, tecnicamente e financeiramente, são os contratos dos jogadores, que na sua grande maioria terminam no final de abril. Dificilmente os clubes conseguirão renovar com todos os atletas que ficarão sem vínculo, seja por falta de dinheiro ou por opção do próprio jogador. Talvez tenha que vir uma determinação de cima, dando a possibilidade dos clubes prorrogarem os contratos até o término dos estaduais, caso eles venham a se estender. Lembrando que a maioria dos clubes da A2 não terão condições financeiras para isso.

Financeiramente, os problemas já começaram. A Federação comunicou aos clubes que a Globo suspendeu temporariamente o pagamento da última parcela da cota dos direitos de transmissão, até que o campeonato recomece, o que acarretará em grandes prejuízos financeiros, principalmente para os clubes menores. A maior despesa de um clube de futebol é a folha de pagamento dos atletas e comissão técnica, e com os clubes perdendo receita, com contratos de patrocínios sendo cancelados, visto que as empresas também estão passando por problemas financeiros neste momento, e sem a ultima parcela da cota da TV, a tendência é que os cortes sejam feitos na remuneração destes profissionais. Veja bem, não estou dizendo que é certo, muito pelo contrário, sou totalmente contra, mas infelizmente é o que alguns clubes irão começar a fazer. E aí os problemas só aumentam, pois os clubes que fizerem isto podem esquecer a competição, caso ela volte, pois imaginem a motivação dos jogadores com salários atrasados.  É um problema grande, que não será fácil para os clubes resolverem. A certeza é que o prejuízo será enorme para todos os lados, se esta pandemia durar muito a passar.

2) A solução para o calendário ainda está sendo discutida. Os estaduais serão encurtados e o Brasileirão começará na data programada? Será mantido o sistema de pontos corridos? Haverá uma Série A com menos datas e a volta do mata-mata? Alinhamento ao calendário europeu?

Qual a sua opinião a respeito?

Beto Souza: 

Isto será outro grande problema. Infelizmente, cada clube vê o seu próprio umbigo apenas, não estão preocupados com o todo. Houve uma reunião, por exemplo, entre representantes dos clubes da Série A do Brasileiro, com a CBF, na qual os clubes deixaram claro que não aceitam mudanças no Campeonato Brasileiro, o que se torna um problema para os términos dos estaduais, já que fica muito difícil prorrogar os estaduais sem alterar as datas do Campeonato Brasileiro. Temos dois grupos distintos, um com a grande maioria dos clubes brasileiros, que dependem exclusivamente dos estaduais, e outro  com os envolvidos no Campeonato Brasileiro, o qual estão inseridos os grandes do país, que movimentam a maior parte da receita do futebol, com cotas de TV, bilheteria, patrocínios e etc.

Muito difícil saber o que vai acontecer em relação à A2. Alguns presidentes defendem a ideia de subirem oito e não cair ninguém da A1; outros defendem o encerramento da competição, devido a todos os problemas que citei acima; outros que a competição continue. Novamente, cada um vai ver o que é melhor para si. Eu, particularmente, pelo investimento que fizemos, pelo time que montamos, gostaria que a competição terminasse, mas para isso precisaríamos ter uma data prevista, e infelizmente não fazemos a menor ideia de quando as coisas voltarão ao normal. Se não houver condição do campeonato continuar, acho que a ideia do presidente da Portuguesa, de subirem oito e não cair nenhum da A1, seja uma boa opção.

Na Série A1, a maioria dos clubes disputam alguma divisão do Campeonato Brasileiro. Não havendo mudança no calendário do Campeonato Brasileiro, o que parece que não acontecerá, como se termina o Campeonato Paulista da série A1, se esta epidemia demorar a passar?

Diante de tanta incerteza, só nos resta aguardar e analisar, semana a semana, os acontecimentos, as decisões da CBF e da Federação Paulista de futebol – Beto Souza.

Em relação à adequação ao calendário europeu, acredito que isto seja pauta para uma vasta discussão. Precisamos entender se seria benéfica para nós esta adequação. Se for pelo simples fato da janela de transferências, tenho minhas dúvidas se valeria a pena. A readequação deveria mexer no calendário brasileiro todo. O problema é muito maior. Hoje temos os campeonatos estaduais, que duram quatro meses, e o Campeonato Brasileiro. Neste país enorme, com mais times, o Brasileiro dura 7 meses em média, com viagens longas entre os jogos. Neste período, os times mal conseguem treinar, se torna uma maratona. Temos a grande maioria dos clubes que disputam apenas quatro meses de competição, deixando um número enorme de profissionais desempregados na maior parte do ano. Então, acho que talvez seja necessária uma reestruturação no futebol brasileiro, talvez com mais séries no Campeonato Brasileiro, mas a discussão é muito ampla, e ficaríamos dias aqui discutindo o assunto.

3) Se sou sócio de um clube e nele, além da mensalidade, pago ginástica, academia, escolinha dos meus filhos, o pensamento é de cancelar este custo. É neste momento que entra também a conscientização do torcedor, de que todos devem ajudar.

E como o XV de Piracicaba pensa em compensar os seus sócios-torcedores?

Beto Souza:

O risco existe, mas nosso departamento de marketing está em contato direto com o nosso sócio-torcedor, por grupo de Whatsapp e contato telefônico, para alinharem qualquer pendência. Além disso, o clube tem promovido uma interação, com quiz, enquetes e outras formas de entretenimento. A principal delas é que iremos promover um campeonato online de futebol para eles.

Vale ressaltar também que neste momento temos que conscientizar a população de ficar em casa. Fizemos várias postagens em nossas redes sociais ressaltando a importância do isolamento social e também o quanto é imprescindível lavar as mãos para evitarmos a propagação do vírus.

Criamos a #XVzistaemCasa, para os torcedores, em suas casas, postarem fotos de artigos pessoais alusivos ao clube. Além disso, o próprio fato de o clube fechar suas dependências e orientar a todos os seus atletas e funcionários a respeitarem este isolamento social, é uma forma de mostrar estar de acordo com esta ação – Beto Souza.

Estamos ainda apoiando uma campanha de um projeto aqui de Piracicaba, chamado Pernas Caipiras, que tem o intuito de arrecadar materiais de higiene pessoal e de limpeza e distribuir aos mais necessitados. Inclusive, um dos nossos parceiros, a Drogal, tem nos ajudado muito com doações de diversos itens.

Uma goleada de informação – Trivela na Rede

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