Fotografia Esportiva – Rodrigo Gazzanel

Rodrigo Gazzanel

  • Nome: Rodrigo Gazzanel;BANNER BLOG TRIVELA NA REDE 1
  • Profissão: Fotojornalismo Esportivo – RM Sports Images

 

1º Pergunta

Trivela na Rede: 

Em que momento a Fotografia Esportiva entrou na sua vida? Foi uma escolha ou oportunidade do momento?

Rodrigo Gazzanel:

Podemos dizer que tudo começou com a ociosidade que eu estava passando. Trabalhava com fotografia de eventos, casamentos e festas infantil, e a demanda desse tipo de trabalho é quase que na totalidade aos fins de semana, ficando durante a semana sem trabalho, e como o futebol sempre fez parte da minha vida, decidi ir para o fotojornalismo, mas sempre direcionado para a cobertura de futebol.

 

2º Pergunta

Trivela na Rede: 

As renuncias, abrir mão de algumas condições, mudar de cidade ou constantes viagens, ficar longe da família por alguns dias, semanas e até meses! São situações que um profissional que deseja seguir carreira na Fotografia Esportiva e, em outras áreas do esporte, precisa estar preparado. Com você não foi diferente.

Como foi esse momento? Que conselho você nos daria?

Rodrigo Gazzanel:

Você precisa abrir mão de algumas coisas pra poder realizar um sonho, e trabalhar com futebol, você não vai ter quarta e quinta noite, feriados, domingos. No começo é complicado, mas eu já estava acostumado porque já trabalhava aos fins de semana, então foi mais tranquilo. Mas a minha família sempre me apoiou em tudo e me ajudou, isso me deixava mais tranquilo pra poder trabalhar.

 

3º Pergunta 

Trivela na Rede: 

Qual o nível de investimento (dedicação e financeiro) necessário para iniciar um trabalho profissional de fotojornalismo? Com ênfase no futebol!

  • Graduação, cursos e certificados;
  • Licenças e credenciais;
  • Equipamento; (Máquina, tripé, lentes e etc.)
  • Hardware’s e software’s e outros.

Rodrigo Gazzanel:

Não existe um curso de fotografia de futebol, o que precisa fazer é um bom curso de fotografia, até mesmo uma faculdade, e estudar sempre, como é um ramo em que tudo se atualiza muito rápido, é preciso estar sempre por dentro das novidades.

Não vou nem falar em valores, porque não existe uma referencia de investimento, mas prepare o bolso porque equipamento fotográfico é bem caro.

 

4º Pergunta

Trivela na Rede:

Sem merchandising, rsrs…

Na sua opinião, qual o melhor equipamento fotográfico? (marca/resolução/potência), e o mais indicado em custo-benefício, para a pratica de fotojornalismo esportivo?

Rodrigo Gazzanel:

Sempre costumamos dizer que o melhor equipamento é o que seu bolso pode comprar, o sonho de todo fotógrafo é ter pelo menos 2 câmeras, 3 lentes, tudo top de linha, mas isso custaria algo em torno de 100 mil reais, então fica inviável.

Aconselho a quem quer começar a ter uma câmera e no mínimo uma lente 70-200mm, muitos fotógrafos hoje trabalham só com esse conjunto. Um conjunto desse bom você vai investir em torno de 15mil reais.

 

5º pergunta 

Trivela na Rede: 

São três situações:

  • Trabalhar para uma agência de fotojornalismo;
  • Ser autônomo e trabalhar como freelance;
  • Ser contratado por um clube de futebol.

Quais os desafios profissionais e financeiros, e as particularidades de cada situação?

Rodrigo Gazzanel:

Trabalhar para uma agência de fotojornalismo; – Você sempre será pautado para determinadas partidas e treinos, e outras vai ficar de fora, além de ter que dividir o valor da venda de fotos com a agencia, mas é o inicio de todo repórter fotográfico, não tem como fugir disso

Ser autônomo e trabalhar como freelance; – Ao contrario das agencias, você que faz as suas pautas, pode fazer o máximo de trabalho, rentabilizando mais ainda os seus ganhos, além de não dividir seus ganhos com ninguém.

 

Ser contratado por um clube de futebol. – Trabalhar para um clube é diferente de todas as outras citadas acima, você tem o rendimento garantido, trabalha sem ter que se preocupar com venda de fotos, a diferença é que você tem sempre pensar em divulgar o clube e não retratar os fatos de uma partida, ex..se o clube que você trabalha perder uma partida, não se pode mandar imagens onde retratam tristeza ou lamentações, sempre tem que se pensar em passar imagens positivas do elenco e da partida.

 

6º Pergunta

Trivela na Rede: 

Hoje você trabalha como freelance (autônomo), realizando a cobertura de jogos de alguns clubes da série A.

Com a sua credencial, você tem acesso livre em qualquer arena/estádio, ou precisa realizar algum cadastro/registro?

Como são realizados os envios das fotos/arquivos (em tempo real), para as agencias divulgarem/venderem nos canais de comunicação?

O FTP ainda é utilizado? Ou já adotaram outro software/sistema em nuvens?

Rodrigo Gazzanel:

De uma forma geral, em se tratando de organização, estrutura e suporte, os clubes são preparados para receber os profissionais do fotojornalismo? Sim…a maioria dos clubes, em se tratando de serie A sim… mas sempre tem coisas a melhorar… mas no geral é possível realizar o trabalho sem maiores problemas.

Não. É necessário solicitar o credenciamento prévio de cada partida com as federações que organizam o evento, e mesmo assim não é garantia de poder fazer a cobertura devido a limitação de locais para esses profissionais.

Tudo através de FTP, cada agencia tem um FTP para receber as imagens dos profissionais.

 

7º Pergunta

Trivela na Rede: 

Qual a sua opinião referente a decisão do STF de não exigir mais o diploma de jornalismo para o exercício da profissão?

Rodrigo Gazzanel:

Eu sou contrario, acho que o curso é necessário e deveria ser obrigatório, a falta do diploma coloca no mercado muitos profissionais sem qualificação, sem postura, sem ética.

 

8º Pergunta

Trivela na Rede: 

O aprecio por registrar momentos #tbt, ter um bom equipamento, estudar, tirar licenças e credenciais, fortalecer a networking pessoal/profissional, são tarefas fundamentais para conquistar o espaço e viver financeiramente de fotografia! Principalmente a esportiva!

No ponto de vista profissional e financeiro (já que no Brasil, a maioria ou todas as agências “não pagam a diária”, as contratações e remunerações dos profissionais de fotojornalismo são feitas de que forma?

  1. Existe uma tabela com valores pré-estipulados?
  2. Como são feitas a comercialização das fotos/arquivos?
  3. São firmados contratos trabalhistas?
  4. O Ministério do Trabalho participa de que forma?
  5. Existe CBO?
  6. Existe um Sindicato Trabalhista especifico para a categoria?
  7. No Brasil, ser autônomo, virou uma questão de sobrevivência?

Rodrigo Gazzanel:

  1. Existe uma tabela de referência, mas bem distante da que realmente é praticada.
  2. Tudo através das agencias intermediárias e principalmente das grandes agencias. (Agencia Estado / Folhapress / GazetaPress / Agencia O Globo e LancePress)
  3. Desconheço vínculo trabalhista com agencias intermediárias.
  4. Apenas para emissão do MTB, que é obrigatório para exercer a profissão.
  5. CBO 2618-15.
  6. Sindicado dos jornalistas, mas tem pouca atuação junto a nossa categoria, quem nos dá algum tipo de respaldo são as associações estaduais, denominadas ARFOC.
  7. Com certeza, com a crise do pais e o encerramento de diversos meios de comunicação no pais, a função de repórter fotográfico autônomo tem crescido nos últimos anos, e o repórter fotográfico contratado de revista e/ou jornal praticamente findou. Pouquíssimos jornais ainda possuem essa função com o regime CLT.

 

9º Pergunta

Trivela na Rede: 

A incerteza com os valores (ganhos), comparado com os custos das viagens, alimentações, estadias, são preocupações constantes na rotina do fotojornalista autônomo.

O modelo de pagamento (ganhos) “fechado pela diária”, adotado por algumas agências da Europa, propiciam uma segurança financeira para o profissional. Esse modelo no Brasil, levando em consideração os encargos trabalhistas, seria bom ou ruim?

Como administrar essa situação?

Rodrigo Gazzanel:

Esse modelo também existe no Brasil, mas adotado apenas por agências internacionais, as agências nacionais não pagam “saída”, remuneram apenas quando tem venda de fotos. O mundo ideal seria as agencias pagarem o fixo pela saída também, mas infelizmente estamos longe disso.

 

10º Pergunta

Trivela na Rede: 

Analisando o mercado de Fotografia Esportiva, com ênfase no futebol, podemos classificar que o seu ramo de negócio está em um oceano vermelho, com muitos tubarões (concorrentes).

Que conselho você daria, para aqueles que estão começando? Ainda têm espaço ou está saturado?

Fica o convite para ler o livro A Estratégia do Oceano Azul de W. Chan Kim e Renée Mauborgne.

Rodrigo Gazzanel:

Pode parecer absurdo o que vou dizer, mas eu não tenho concorrentes, tenho amigos de profissão. Nunca teremos uma foto igual a outra, um fotografo nunca tem o mesmo olhar que o outro, e portanto não temos o mesmo produto para venda ao cliente.

O mercado esta saturado, remuneração cada vez menor, mas sempre tem gente nova chegando e gente saindo da profissão por não conseguir se manter. Viver da fotografia de futebol esta cada vez mais difícil. Pouquíssimos fotógrafos só fotografam futebol e consegue se manter, quem sabe um dia.

 

11º Pergunta

Trivela na Rede: 

É exigido o MTB para trabalhar profissionalmente com fotojornalismo esportivo?

Rodrigo Gazzanel:

É necessário o MTB de repórter fotográfico, esse registro só é possível apos 6 meses de publicação em jornais ou sites, vinculo com uma agencia para comprovação do pagamento das fotos, e associação com a ARFOC do seu estado.

 

12º Pergunta

Trivela na Rede: 

Cite o nome de uma referência profissional na sua vida. Explique a sua escolha.

Rodrigo Gazzanel:

Não vou ser injusto e citar uma referencia, é muita gente boa…e que bom que estou convivendo com todos eles. São grandes fotógrafos esportivos que antigamente eu olhava o nome deles ao lado da foto na publicação e hoje estou trabalhando ao lado. É muito gratificante isso. Se eu citar nomes aqui vou esquecer alguém com certeza.

 

13º Pergunta

Trivela na Rede: 

Deixe registrado aqui, todos os endereços dos canais do seu trabalho! Twitter, Facebook, YouTube, Instagram, Site e etc.

Rodrigo Gazzanel:

  • Twitter: @rodrigogazzanel
  • Instagram: @rodrigogazzanel

 

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