Gestão Esportiva – Diego Cope

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Diego Cope

  • Nome: Diego Cope;
  • Profissão: Gestor Esportivo do XV de Novembro de Piracicaba.

 

1º Pergunta

Trivela na Rede: 

Em que momento a Gestão Esportiva entrou na sua vida? Foi uma escolha ou oportunidade do momento?

Diego Cope:

Na verdade, o futebol em si sempre me envolveu. Como todo garoto, tentei atuar como jogador de futebol e não consegui me profissionalizar. Porém a vontade de trabalhar no futebol nunca deixou de ser uma meta em minha vida, mesmo eu me especializando em outra área.

Mas logo que desisti de tentar ser um jogador de profissional, a oportunidade de atuar fora dos gramados não veio tão rápida.

Fui estudar, cursei Publicidade e Propaganda e atuei na área por 8 anos, passando por algumas agencias de publicidades e empresas do ramo.

Quando me desliguei de uma determinada empresa, no final de 2011, fui passar as festas na casa de minha sogra, em Hortolândia. O clube da cidade, o SEV Hortolândia, estava mudando sua gestão para o próximo ano, e eu tinha um amigo em comum com os investidores que assumiriam a gestão do time de Hortolândia. Em uma conversa formal, me indicaram para trabalhar lá, porém era para filmar jogos das categorias Sub 15 e Sub 17, bem diferente da função que exercia fora do futebol.

Conversamos e após algumas semanas de espera, foi feito a proposta para trabalhar no clube. Não imaginaria que me ofereceriam um salário tão baixo!!! Com esse salário não conseguia pagar um aluguel para morar na cidade!

Mas não pensei 2 vezes e aceitei na hora a proposta!!!

Detalhe: O salário oferecido era 3 vezes mais baixo que atualmente eu vinha ganhando, mudei de cidade, parei os estudos e especializações, passei a morar em um quarto. (filho, esposa e eu)

Renunciei tudo para entrar no futebol!

2º Pergunta

Trivela na Rede:

As renuncias, abrir mão de algumas condições, mudar de cidade, ficar longe da família por alguns dias, semanas e até meses! São situações que um profissional que deseja seguir carreira na Gestão Esportiva e, em outras áreas do esporte, precisa estar preparado. Com você não foi diferente.

Como foi esse momento? Qual o conselho você nos daria?

Diego Cope:

Eu renunciei diversas situações para entrar no futebol, e continuo renunciando várias outras para permanecer. Não é fácil!!!

As competições acontecem aos finais de semanas, e as vezes você abre mão de feriados, festas em famílias, aniversários de pessoas importantes, todas essas coisas, pela profissão, pelo futebol.

Eu agradeço a Deus pela oportunidade e pela a esposa que tenho. Ela apoia e entende a situação, as viagens, a ausência em situações importante. Ela é 50% de tudo em minha carreia está dando certo.

O conselho que dou é que: Se queres entrar no futebol, esteja preparado para renúncia!

Perderá todas as principais atividades familiares

Às vezes, não será recompensado financeiramente por isso, e ainda assim, terá que ser o melhor!

3º Pergunta

Trivela na Rede:

Como é o dia a dia de um Gestor Esportivo? Os deveres e as obrigações, podem sofrer mudanças dependendo da estrutura do clube?

Aproveitando o ensejo, poderia nos descrever mesmo que de forma resumida, quais são os departamentos existentes em um clube de futebol?

Diego Cope:

Muitos pensam que essa função é só para montar o elenco para uma determinada competição e pronto. Não é bem assim.

Passa desde o planejamento financeiro do clube durante o ano e/ou competição, montagem de elenco, estabelecer uma filosofia entre as diversas áreas de um clube, exigir e praticar uma comunicação muito bem integrada entre equipe profissional e categorias de bases, inserir e aplicar uma metodologia básica, e sem falar na gestão de pessoas, um dos aspectos mais difícil do futebol, se tratando de um meio muito vaidoso.

Ao meu ver, hoje em dia, é de suma importância o gestor de futebol ter noções que ainda sejam básicas, sobres táticas aplicadas no futebol, saber bem sobre o que é modelo de jogo e assistir muito jogos, de diversas competições e divisões para conhecer jogadores e treinadores.

Eu mesmo tenho um banco de dados de jogadores gigante. Todos os jogos que assisto de divisões emergentes do futebol brasileiro, e lá se encontra um possível jogador de potencial, eu coloco em meu banco de dados, e passo a acompanhá-lo.

E tudo isso, pode ser aplicado em qualquer clube, tendo ele grande estrutura ou não!

Agora sobre a criação de departamentos, isso sim depende muito da estrutura que o clube oferece e seus objetivos a longo prazo.

E acredito muito bem nesse organograma, pensando em uma gestão completa de futebol.

*Organograma fornecido pela Universidade do Futebol, do curso Gestão Técnica no Futebol, no qual eu participei.

4º Pergunta

Trivela na Rede:

De forma geral, as peneiras continuam seguindo o mesmo padrão? Ou o sistema em si acompanhou a evolução do futebol?

Existe um trabalho das peneiras parelho com as categorias de base?

Muitos jovens, reclamam que os anúncios das peneiras são divulgados em cima da hora. Esse prazo apertado, limita uma ação do atleta em reunir a papelada, principalmente o laudo médico, e ainda tem a questão do deslocamento do atleta de uma cidade, região ou até Estado!

Quais são as dicas para um atleta não dormir no ponto?

E na questão jurídica dos contratos, quais são os cuidados que os responsáveis legais precisam tomar antes de assinar?!

Diego Cope:

As peneiras precisam continuar sim. Existem muitos talentos nesse nosso gigantesco Brasil que precisa ser descobertos. E as peneiras podem ser um dos caminhos para encontra-los. Basta cada clube se programar de acordo com sua estrutura e filosofia de captação.

Cada clube adota uma maneira de fazer, basta o candidato se adequar a cada uma delas. Sem desculpas por conta dos atletas!

5º Pergunta

Trivela na Rede:

A Copinha, apelido dado a Copa São Paulo de Futebol Junior (antiga, Taça Paulista de Juniores), é um torneio muito observado por imprensa, torcida, empresários e clubes, uma vez que é considerada a principal oportunidade para se descobrir futuros craques do futebol brasileiro.

Na teoria, o Corinthians deveria arrecadar mais com as negociações das jovens promessas, mas, na realidade, o Santos é que tem um melhor desempenho nesse mercado.

Na sua opinião, o que sobra no Santos que falta no Corinthians?!

Diego Cope:

Depende do que estamos falando.

Formação ou conquista?

Nem sempre a equipe campeã da Copa SP de Futebol Jr, conseguiu revelar os melhores atletas.

Lembramos que Neymar, Kaká, Gabriel Jesus, Raí e muitos outros, disputaram pelo menos uma edição da Copa SP, mas qual deles foram campeão? Ao menos conseguimos lembrar em até que fase da competição esses atletas chegaram?

O que vale na formação de um atleta, não é os títulos que eles ganham na base, mas sim o processo de formação que eles enfrentam.

É obvio que ser formar atletas sendo campeão é perfeito!

A filosofia do Santos ajuda em colocar seus meninos para jogar sem nenhum receio, e com isso, conseguem revelar mais atletas, gastando menos com contratações e conseguindo maiores vendas.

Lógico que isso só é possível com profissionais capacitados para tal. 

6º Pergunta

Trivela na Rede:

No início, quando você buscou se profissionalizar como jogador de futebol, com passagens pela Portuguesa/SP, Mirassol e Mauaense, talvez o seu olhar e os seus objetivos fossem diferentes dentro das quatro linhas.

Hoje, aquele menino do passado, dá espaço para um importante Gestor Esportivo! A frente de um importante clube do nosso interior.

Quais são as lições, aprendizados e os impactos proporcionados, principalmente em momentos de introspecção ao analisar outros jogadores?

Diego Cope:

Eu atuei bem pouco, quase nada se tratando de jogador de futebol.

Mas o fato de ter fracassado como atleta, faz com que consigamos entender melhor o caminho percorrido por eles.

Acredito que não tem nada de mim em outros atletas, até porque, os atletas que procuro para o meu plantel, chegou em um nível que não cheguei a atuar…rsrsrs

  7º Pergunta

Trivela na Rede:

No ano 2012, você trabalhou no SEV Hortolândia como cinegrafista, e não demorou muito para garantir o seu espaço, assumindo importantes funções dentro do clube.

Aceitou uma função inusitada, um desafio, talvez, não calculado, mas crucial para a sua entrada no mercado do futebol.

A receptividade aos novos desafios, com certeza proporcionaram um ganho de conhecimento inestimável na sua carreira!

Partindo desse pressuposto, por que os clubes limitam e dificultam tanto o acesso para os novos profissionais “anônimos” na área do futebol?

Diego Cope:

Isso tem mudado. O que acontece é que o profissional que ambiciona ingressar no futebol, já vislumbra um cargo na equipe profissional ou direto na gestão profissional de um clube, poucos aceitam começar por baixo, por já terem alguma formação acadêmica.

Para conquistar alguma coisa no futebol, para subir, tem que ralar muito, as vezes até ser incompreendido.

Hoje em dia, os clubes têm abertos portas nas categorias de base para ingressar novos profissionais.

Estudar, aceitar ralar muito (muito networking) é o melhor caminho para entrar nesse fascinante, e as vezes maldoso, mundo da bola.

8º Pergunta

Trivela na Rede:

O futebol não é uma ciência exata, e talvez você se lembre dessa frase: “O futebol não pode ser apenas um estudo científico!”.

Verdade ou mito? O que você pensa a respeito?

Diego Cope:

Eu acredito na mescla de tudo isso.

Hoje o futebol não tem mais espaço somente para o “boleirão” ou para “os caras da apostila”

O ex-atleta que não se preparar, não estudar para continuar no futebol, encontrará muitas dificuldades em permanecer.

Também é o caso de quem nunca atuou profissionalmente e tem diversos estudos acadêmico. Se não entender que futebol não é universidade, não é só o que está na apostila, também encontrará muitas dificuldades.

Eu acredito na mescla! Quando acadêmico entende o futebol dentro das 4 linhas, entende o que é um “vestiário”, ele se torna uma potência.

O ex-atleta já entende todo esse conceito e quando ele agrega os estudos, vira um fenômeno!

9º Pergunta

Trivela na Rede:

Alguns clubes do interior, sofrem com a falta de um aporte financeiro de respeito, precisam praticar em alto nível um futebol sem dinheiro, as vezes com instalações abaixo do desejável, precisam contratar jogadores a “custo zero”, e como se não bastasse, manter a regularidade para permanecer ou até conquistar o tão sonhado acesso.

O aparelho desfibrilador neste caso é a Copa Paulista, pelas receitas e a vitrine que gera.

A falta de calendário, receitas baixas, custos elevados, a cobrança da torcida que não levam em consideração essas dificuldades?! Sem mencionar as discrepâncias dos clubes da A1!

Como administrar todas essas dificuldades? Existe uma “fórmula” mágica?

Diego Cope:

Hoje, esse é o meu principal desafio! Fazer futebol com pouco dinheiro.

Para começar, a situação econômica brasileira não é boa, e isso afeta muito no futebol brasileiro, principalmente nas divisões menores.

No caso do futebol Paulista, o segundo semestre, para quem não tem calendário de divisões nacional, só resta a Copa Paulista, porém, a FPF não dá nenhum aporte financeiro para os clubes participarem da competição. O custo médio de um jogo da Copa Paulista, seja jogando em casa ou fora, é bem elevado.

Um time com a história e torcida que tem o XV de Piracicaba, não pode deixar de disputar nenhuma competição e jamais ficar mais de 6 meses sem atuar.

Agora me diz: De onde tiramos verba para 4 meses de competição? Esse tem sido nosso desafio! E estamos conseguindo.

Os clubes que não tem aporte financeiro, acaba só participando de competições, onde as federações locais pagam cotas. Acredito que esse é um ponto a melhorar, maiores cotas com maiores calendários, para os clubes e jogadores terem competições durante o ano inteiro.

10º Pergunta

Trivela na Rede:

A NFL, MLB e NBA trabalham em sistema de franquia com os clubes, com regras claras sobre direitos de transmissão que são distribuídos igualmente por todas as equipes. Isto é. O primeiro colocado recebe o mesmo valor que o último colocado. Mesmo sendo uma visão simplista, esse seria o caminho para aumentar a competitividade dos nossos Campeonatos e melhorar a imagem dos clubes no mercado financeiro e no Exterior?

Diego Cope:

Sim, um dos caminhos para salvar os clubes financeiramente são cotas iguais em suas respectivas divisões.

Como disse acima, teria que ter cotas maiores, nas divisões menores, para alimentar o clube o ano inteiro.

Porém, o que falta mesmo é gestão séria e comprometida, que saiba usar o dinheiro de forma eficiente.

Pelo estado financeiro ser bem ruim, os clubes antecipam suas cotas.

Falando a grosso modo, eles só pensam na gestão do momento e enquanto eles estão ali, não pensam no ano em que a cota não estará mais disponível.

É complicado falar da saúde financeira de um clube, sendo que você não está dentro para saber de tudo, mas sabemos que a maioria gasta mais do que tem! Isso é falência lenta, ou seja, uma hora fecha as portas!

11º Pergunta

Trivela na Rede:

Na sua opinião, por que os clubes brasileiros insistem em ignorar o mercado financeiro?

O Flamengo poderia emitir debêntures. O Corinthians teria como virar sócio da Nike. Emitir ações na BM&FBovespa seria possível. Mas os times continuam a ignorar a sociedade anônima, estrutura que até Pelé falhou em implementar 20 anos atrás.

Diego Cope:

Ter boa estrutura financeira é uma das principais razões dos sucessos de muitos times no Brasil e hoje temos alguns clubes que conseguiram alcançar esse patamar olhando um pouco mais para o mercado financeiro.

Clubes faturam mais, porém parcelam suas dívidas.

Só o fato de muitos aderirem o PROFUT, já mostra uma mentalidade diferente de anos atrás.

12º Pergunta

Trivela na Rede:

Como disse certa vez o técnico vice-campeão mundial pela seleção italiana na Copa de 94, Arrigo Sacchi, “il calcio è la cosa più importante delle cose non importanti”.

Traduzindo, o futebol é a coisa mais importante dentre as coisas menos importantes.

A origem dessa frase até hoje é discutida. Talvez o saudoso Nelson Rodrigues seja o precursor. De qualquer forma, essa frase parece se perpetuar pelo tempo e reflete a realidade dessa paixão no nosso País!

Qual a sua opinião a respeito?

Diego Cope:

Futebol é paixão para seus torcedores e com paixão não se brinca …rs!

Para mim, é minha profissão, meu sustento… É a coisa mais importante para manutenção da minha família.

 13º Pergunta

Trivela na Rede:

Cite o nome de uma referência profissional na sua vida. Explique sua escolha.

Diego Cope:

Cito duas:

José Carlos Brunoro. Gestor com quem trabalhei e aprendi muito! Um dos primeiros gestores profissionais no futebol.

O fato de ter trabalhado com ele, me agregou muito conhecimento.

O outro é Rodrigo Caetano. Pela forma rígida e transparente que trata seu clube e a ousadia em inovar!

 14º Pergunta

Trivela na Rede:

Deixe registrado aqui, todos os endereços dos canais do seu trabalho!

Diego Cope:

  • Twitter: @CopeDiego
  • Facebook: Diego Cope
  • Instagram: diegocope

 Diego Cope em AÇÃO!

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You’ll Never Walk Alone