Sindicato de Atletas de SP – Rinaldo Martorelli

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  • Nome: Rinaldo Martorellirinaldo_martorelli1
  • Profissão: Presidente do Sindicato de Atletas de SP

1º Pergunta

Trivela na Rede: 

É uma grande honra entrevistar o melhor goleiro do Campeonato Paulista de 1986, eleito pela A Gazeta Esportiva, na época, defendendo o Palestra Itália / Palmeiras!

Com um no-hall de muito respeito, tendo comandado por dois mandatos a Federação Nacional de Atletas Profissionais de Futebol (FENAPAF) e a Divisão Américas da Federação Internacional de Futebolistas Profissionais (FIFPro). Hoje, Presidente do Sindicato dos Atletas de São Paulo e membro da Câmara de Resolução de Disputa da FIFA. Fantástico!

Obrigado, Sr. Rinaldo Martorelli, em dividir o seu tempo e conhecimento conosco, com os nossos leitores e assíduos do esporte.

Vamos dar início a entrevista.

Por gentileza, conte-nos como foi a sua iniciação no Sindicado de Atletas de São Paulo, os desafios e percalços enfrentados até chegar à Presidência do Sindicato dos Atletas de São Paulo!

 Antes de abordarmos o incrível trabalho do Sindicato dos Atletas de São Paulo, gostaria que falasse um pouco sobre a FENAPAF e a FIFPro.

Rinaldo Martorelli:

FENAPAF – Em 2001 começamos a nos estruturar e montamos a Fenafap (Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol), para isso tínhamos que ter cinco Sindicatos Estaduais na base para compor a estrutura, começamos com: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Pernambuco. A partir daí, iniciamos um movimento, com a legalidade que a entidade nos dava, para representar a categoria em âmbito nacional.

FIFPro – Fomos convidados, como Sindicato de São Paulo em junho de 2001, para compor a FIFPro, mas, como em janeiro de 2001 nós já havíamos criado a Fenapaf, eu os levei para participar, assim começamos a desenvolver o trabalho, principalmente na América. Conseguimos tanto destaque que eu fui nomeado para ser o representante da América em 2006. Acabei virando vice-presidente geral em 2013, e presidente do braço americano, esse em 2010. Auxiliamos na criação na Guatemala, Costa Rica, Panamá, El Salvador. Influenciamos na melhora de Colômbia Equador, Bolívia, Peru, Chile.

A experiencia na troca de informações e atividades foi o ponto marcante do trabalho. Além disso, éramos a garantia de que se as coisas não funcionassem nesses países essas informações chegariam na FIFA de forma plena, sem distorções. Explicávamos sobre os regulamentos da FIFA, regras sobre a relação de trabalho, etc. Fui recebido por quase todos os presidentes e Ministros (Esporte e Trabalho) da América. Tudo que se tem hoje, embora se veja pouco o avanço foi significativo, foi iniciado naquela época.

2º Pergunta

Trivela na Rede: 

Qual o papel e os serviços oferecidos pelo Sindicato dos Atletas de São Paulo.

A área de atuação se restringe apenas ao estado de São Paulo? Existem Sindicatos de Atletas em outros Estados do Brasil?

Rinaldo Martorelli:

Servimos de parâmetros para todo Brasil, esse trabalho acaba sendo irradiado para outros lugares, ninguém toca do jeito que fazemos. Se precisarmos socorrer atletas em outros locais o faremos sem nenhum problema.

Internamente temos uma gestão empresarial, diferente do que se vê por aí em termos sindicais e clubísticos. Privilegiamos o ser humano interno para cuidar com excelência do ser humano de fora. Temos um jeito muito diferenciado da visão do todo que tem nos trazido resultados fantásticos.

3º Pergunta

Trivela na Rede:

Seguindo a proposta do Trivela na Rede, em ser um guia de profissões ligadas ao futebol, o profissional que deseja trabalhar no Sindicato dos Atletas de São Paulo, precisa de alguma formação, curso ou licença especifica?

Como funciona essa captação de mão de obra exercida dentro do Sindicato, os setores seguem uma departamentalização ampla ou algumas atividades são terceirizadas?

Rinaldo Martorelli:

Temos uma equipe de muitos anos.

O trabalho interno se volta a capacitar essa equipe, dar a visão do segmento, mostrar que é importante a atenção aos detalhes. Isso se faz com muita determinação, organização e aprendizado. Primamos pela educação, formal e não formal, e a estimulamos o tempo todo. Com o tempo todos vão se preparando cada vez mais para entender seu papel dentro da instituição.

4º Pergunta

Trivela na Rede:

São facultativas as afiliações ao Sindicato de Atletas SP pelos esportistas profissionais que estão em atividade? Como são realizadas as interações e as tratativas entre os clubes, jogadores e o Sindicato de Atletas SP?

Aproveito para incluir duas perguntas complementares:

Vamos citar como exemplo, um jogador afiliado ao Sindicato de Atletas SP, que defenda um clube da série A1 no Estado de São Paulo.

Esse jogador é transferido por venda ou empréstimo para um clube de outro Estado. O Sindicato de Atletas SP continua prestando serviços a esse jogador?

Um esportista que tenha optado por abrir uma empresa (Lucro Presumido, por exemplo), comparado a outro que tenha registro e trabalhe com carteira assinada, ambos podem afiliar-se ao Sindicato de Atletas SP? Os serviços oferecidos pelo Sindicato de Atletas SP, circunstancialmente, sofrem alguma singularidade?

Rinaldo Martorelli:

A constituição não permite a obrigatoriedade de filiação, a filiação é feita livremente. As interações são feitas em visitas aos clubes; quando há uma necessidade específica como a intervenção por falta de pagamentos de salários; quando criamos nossos eventos; quando os atletas visitam nossa sede; a interação também é feita através de nossas mídias sociais.

Independe o lugar de onde o atleta esteja o Sindicato vai atende-lo sempre que solicitar os serviços. Ninguém fica sem atendimento. Adotamos a teoria da última porta.

No futebol existe uma prática única rígida, então o atleta tem que ter o contrato especial de trabalho registrado na federação. As outras categorias não precisam. Então o atleta profissional é aquele que viveu ou vive de uma atividade esportiva, seja por contrato de trabalho, direito de imagem, contrato de patrocínio ou qualquer outro que lhe dê possibilidade de sustento. Então a pessoa que vive da atividade esportiva é um atleta profissional. A partir daí a gente apoia todo mundo.

5º Pergunta

Trivela na Rede:

Sabemos que o Sindicato de Atletas SP, desempenhou um importante papel em ser um dos maiores articuladores da Lei do Passe e da conquista do Direito de Arena. Por favor, explique cada uma delas e, de preferência com a aplicação na prática.

Rinaldo Martorelli:

No caso do passe atleta ficava preso ao clube, mesmo sem contrato, e ainda ficava sem salário. Então a gente fez um trabalho e aproveitamos que o Pelé foi nomeado Ministro do Esporte, usamos o prestígio dele. Iniciamos , em 1995, fazendo o trabalho de articulação em Brasília com o então Deputado Arlindo Chignalia  que começava sua trajetória política para aprovar um projeto de lei que extinguia o artigo 11 da lei 6354/76, que dizia que na transferência o clube tinha que receber uma indenização. Acabando a indenização pela transferência acabava o passe. Depois o projeto de lei original recebeu mais apensos e foi promulgada em 26 de março de 1998 e, naquilo que dizia respeito ao passe, entrou em vigor três anos depois, em 2001. Se tratarmos a questão comparativa na prática e nos tempos podemos perceber que o Pelé só conseguiu ter sua independência financeira depois de encerrar a carreira, se livrar do passe no Brasil e ir jogar nos Estados Unidos, isso quase aos 34 anos de idade. O Neymar não! A liberdade contratual conseguida por nós lhe deu a possibilidade de já aos 21 anos de idade começou a construir sua independência financeira de forma mais robusta com sua transferência ao Barcelona.

O Direito de Arena foi um processo que fizemos em 1997, já existia desde 1973 na lei de direitos autorais, mas não era cumprida. Depois de pesquisar muito, analisar, falar com jogadores entramos com a ação no Rio de Janeiro. Em 2001, depois de termos as fases iniciais decidas em nosso favor, mas longe ainda da decisão final, fizemos um acordo para que o atleta passasse a receber na forma de adiantamento uma parcela daquilo que era previsto na lei. Nós demos um plus na vida dos atletas profissionais, com esse trabalho já propiciamos que muitos comprassem as sonhadas casas para a família, já salvamos natais de muitos deles e o mais legal de tudo é que muitos nem sabem que fomos nós os responsáveis por isso. Aí entra outra marca forte de nosso trabalho, fazer para aquele que nem sabe que a gente existe.

6º Pergunta

Trivela na Rede:

Além das conquistas da Lei do Passe e o Direito de Arena, gostaria que falasse a respeito da Cartilha Tributária do Atleta Profissional.

Rinaldo Martorelli:

Com esse exemplo dá para mostrar uma outra vertente, a nossa instituição vai se movimentando de acordo com a necessidade do atleta. E trazer informações referente a condição tributaria era muito importante. Fizemos uma parceria com o Pedro Trengrouse Advogados e a Ernest & Young especialistas no assunto. Juntamos a eles nossa experiencia e conhecimento e fizemos um único documento. Documento que auxilia o atleta de de A a Z em todas as suas relações contratais. Tem todo detalhamento que ele precisa desde Direito de Imagem até quando estiver fora do país.

7º Pergunta

Trivela na Rede:

Por favor, gostaria que falasse a respeito da Expressão Paulista, e, dos investimentos que o Sindicato de Atletas SP está propondo/realizando visando o presente e o futuro não só da instituição, mas também dos atletas!

 As instalações são disponíveis apenas para os afiliados?

Rinaldo Martorelli:

O Expressão Paulista nasce da experiência por eu ter sido jogador. O atleta sem contrato não tinha lugar para treinar. A ideia surge dessa necessidade! Ter um Centro de Treinamento, que faz parte de um Centro de Formação Humana, em que o atleta pode treinar para voltar ao mercado. Ele conta com uma equipe técnica especializada, além de profissionais que cuidam de seu desenvolvimento humano. E os treinos acontecem três vezes por semana. E as vivencias com Coach, Assistente Social, Psicólogo, Profissionais do Esporte, etc. uma vez por mês. O acompanhamento e monitoramento feita pela Assistente Social é semanal.

8º Pergunta

Trivela na Rede:

Quais foram os reflexos (positivos e negativos) no Direito de Arena com a última revisão da Lei Pelé?

Qual foi a ação do Sindicato dos Atletas de São Paulo, frente a isso?

Rinaldo Martorelli:

O Direito de Arena não interfere na relação de trabalho, em algumas condições é a única verba que o atleta recebe.

Os clubes vivem querendo tirar essa verba da categoria, apesar de usar as imagens dos atletas para a transmissão, questão que não se relaciona com o contrato de trabalho, e nós vicemos fazendo essa contenção em Brasília. Mostramos que eles, os clubes, gastam indevidamente e querem mais essa verba para fazer o mesmo. Nós levamos elementos que impedem essa ganancia.

9º Pergunta

Trivela na Rede:

Existe alguma ligação entre o Sindicato de Atletas SP e o SITREFESP – Sindicato dos Treinadores de Futebol de São Paulo?

Rinaldo Martorelli:

Fazemos vários convênios com eles, somos abertos a qualquer instituição que queira trabalhar conosco. A nossa interação é possível desde que a outra instituição se disponibilize a isso também.

You’ll never walk alone